É claro que ninguém quer dizer adeus

Foto: Amanda Alves

“É óbvio que ninguém quer dizer adeus, mas as vezes as conversas se desviam e se perdem em assuntos seleciosos, o olhar tropeça em outro na rua e brilha, o desgaste rotineiro te faz ir embora, criando uma distância irreversível. 

Eu pedi tanto pra que você não fosse, e mesmo indo, eu sempre ficava a te esperar. Eu achei que não seria capaz de extrair esse sentimento de mim, até que um dia, sem um porquê, você foi. E eu realmente não me senti mal, não senti falta, nem vontade incontrolável de mandar oi. Eu te pedi pra não ir, porque eu sei como sou. Totalmente imprevisível. Eu deixei pra lá tantas coisas, coisas até piores, mas existe uma data de validade pra esse temperamento, e ela é desconhecida por mim. De repente meu coração decide avisar que é ‘game over’ pra você e embora eu tente, eu queira, ou você se arrependa é tarde demais. Eu não tenho controle algum sobre meus sentimentos, e era exatamente por isso que eu pedi para cuidar bem deles, para que eles não tivessem motivos para se dissolver.

Eu sofria a cada vez que você partia, mas agora… Tudo pareceu extremamente banal. Quem é você? Por que eu carregava um sentimento gigante? Por que ele durou tanto tempo? São questões que há dois dias eu saberia responder, mas que agora… Parecem tão incompreensíveis. 

Pedi pra não ir, porque no tempo que você fica fora, eu não sei o que pode ocorrer. E então, quando você voltar – e eu sei que o fará – não vai entender absolutamente nada do que sou. Eu disse que era uma incógnita, e quando os professores de matemática explicavam a conta, você não podia sumir no meio dela se quisesse compreendê-la por inteiro, certo!?

Desculpa anjo, mas é que uma hora a gente cansa, e eu cansei. Eu não tenho um motivo, talvez seja a junção de todos os outros. 

Mas eu permaneço aqui. Sou sua amiga, conselheira, admiradora… Bem, não era exatamente isso que você queria? Aparentou ser.

De um dia pro outro eu já não sei mais se realmente era apaixoanda, se realmente te quis tanto, se era verdade tudo aquilo. Se eu não tivesse sentido cada lágrima escorrer, cada vez que o coração acelerava, cada olhar magnético, eu jamais acreditaria que me apaixonei de verdade. E então agora somos isso: Uma história bonita e passada, guardada num lugar discreto do coração, lembranças que me levam à momentos incríveis, uma ilusão que me trouxe um alguém maravilhoso e um amor meio ruim. Viramos poesias e prosas, guardadas em cada caderno. Só não viramos arrependimento. Isso nunca. Talvez só não fosse pra ser. Talvez tentamos no tempo errado. Talvez…

É claro que ninguém nunca quer dizer adeus, mas o meio termo só é bem visto em uma situação: Não insistir demais, nem desistir facilmente. Quando essa circunstância chegar, pare no meio do caminho. A vida tem que continuar. Insistir em jogo perdido é em vão, desistir do jogo no início é fraqueza, mas a falta de reciprocidade é suicídio. 

Você era poesia,

Eu prosa.

Você era curto,

Eu longa.

Você era um ‘era uma vez’,

Eu ‘felizes para sempre’.

É por isso que você ainda tem muitos começos por aí, e eu quero uma eternidade.

Você era um amor,

Agora… Agora você é uma história, e como toda história, você já passou.”

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